E hoje nos despedimos de mais um companheiro de jornada.
Lucas, de Sinnoh, saiu da Aliança, levando consigo a bela história de Lucas, Barry e Dawn, que ainda estava no começo. Infelizmente ele estava ocupado demais, o que é compreensível, numa idade em que você tem escola, cursos, etc. Só podemos desejar-lhe boa sorte e esperar que ele tenha sucesso no que quer vá fazer ou já esteja fazendo.
É uma grande perda na família, mas ainda podemos nos encontrar por aí. Afinal, mesmo com sua saída, a amizade continua. Lucas continua no coração da Heroes. Quem sabe não nos encontramos no universo das fanfictions novamente?
Até mais ver, amigo.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Capítulo 11
A Union Cave estava interditada.
Era só o que faltava... Só
era possível chegar em Azalea Town através dela. Agora, uma faixa os impedia de
atravessá-la, e um grupo de trabalhadores de obra pareciam discutir sobre o
assunto.
– Com licença, senhor –
chamou Nate. – Por quanto tempo a caverna vai ficar interditada? É que eu
preciso chegar a Azalea para desafiar o líder de ginásio de lá...
– Desculpe, garotão. É
questão de segurança. A Union Cave está desabando.
Duke deu um passo a
frente.
– O que aconteceu? – Ele perguntou.
– Ninguém sabe. Ela
simplesmente começou a se desfazer. É muito perigoso entrar lá.
– Senhor!
Um homem ia correndo até
o supervisor da equipe para informar-lhe o que haviam descoberto. O grupo de
jovens, que já se preparava para dar meia volta, parou para ouvir o que ele
tinha a dizer.
– Tem alguém lá dentro.
– E vocês vão salvá-lo,
certo? – Indagou Duke.
O trabalhador balançou a
cabeça em negação.
– Não podemos fazer nada.
Se entrarmos lá, iremos apenas arriscar nossas vidas. Mais pessoas morrerão.
– Então vocês vão
simplesmente deixá-lo morrer?!
Eles baixaram as cabeças.
Duke não podia deixar aquilo acontecer. A caverna estava desabando e uma pessoa
continuava presa lá dentro, provavelmente ferida. Infelizmente, essa história lhe
era muito familiar. Ele não podia deixar que aquilo acontecesse de novo.
– Eu vou entrar.
– Não! – Exclamou Cris, segurando seu braço. –
É muito perigoso! Você pode ser esmagado!
– Estamos tentando ser
heróis, lembra? Eu não posso cumprir minha missão sabendo que deixei uma pessoa
morrer, sendo que poderia tê-la salvado.
– Mas...
– Você devia entender,
Cris. Eu não posso deixar isso acontecer de novo.
A garota o soltou e
alguém pôs a mão em seu ombro. Era Lyra.
– Então, estamos nessa
juntos.
– Isso
aí! – Disse Nate. – Vamos salvar esse cara!
Duke os olhou,
agradecido. Os quatro já formavam um time com uma bela união. Se alguém fosse
se arriscar ou passar por algum desafio, os outros o acompanhavam. Mal dava
para acreditar que Duke tinha conhecido Nate e Lyra há tão pouco tempo e já
confiava tanto neles.
– E você, Cris? Também
vem?
A azulada hesitou, mas
enfim abriu seu sorriso típico.
– É claro que eu vou!
– Vocês não vão a lugar
algum! – Interrompeu o supervisor. – A caverna está desabando! Se entrarem lá,
vão morrer, e ainda colocarão a culpa em nós!
– Nós não vamos morrer –
garantiu Duke.
Aquilo soou tão confiante
e determinado que o homem recuou. Relutante, ele abriu passagem para os jovens.
– Sobrevivam.
Ele só desejava isso para
não ter que arcar com as consequência caso eles falhassem... Bem, não
importava. Aqueles jovens que salvariam o mundo estavam indo salvar uma pessoa
que desconheciam a identidade. Já era o primeiro passo.
Assim que entraram, Nate
ligou sua lanterna e segurou a mão de Lyra para que ela não ficasse com medo da
escuridão da caverna, mas ela estava tão destinada a salvar aquele desconhecido
que parecia ter se esquecido de seu medo. Cris caminhava ao lado de Duke na
intenção de apoiá-lo. O ruivo podia parecer confiante sobre isso, mas no fundo
estava morrendo de medo. Ele sabia que tinha chances de morrer ali e podia
estar levando seus amigos para o mesmo caminho, por isso saber que tinha o
apoio de Cris e dos outros era tranquilizador.
– Ali!
Lyra apontou para alguém caído do chão, não
muito distante deles. Mesmo assim, era possível ver as pedrinhas caindo no
chão, cada vez maiores. A terra tremia, quase derrubando o grupo. Os Pokémons
encontrados na caverna procuravam desesperadamente a saída.
Os jovens finalmente
conseguiram se aproximar do ferido. Não conseguiam distinguir sua aparência
devido à escuridão, a única coisa que conseguiram identificar foi seu cabelo
loiro.
– Você está bem? –
Perguntou Nate.
– Quem... Quem são
vocês...?
– Podemos deixar as
apresentações pra depois – disse Duke. – Vamos tirá-lo daqui.
Ele apoiou o braço do
rapaz em seu ombro e segurou sua cintura para levantá-lo. O loiro o encarou e
disse em tom de súplica:
– Salve meus Pokémons...
Um Sandslash e um Ursaring...
– Nós vamos procurá-los – afirmou Lyra. –
Certo, Cris?
– Certo! Não se preocupem
com a gente, nos encontramos no outro lado!
Assim, as garotas se
afastaram dos rapazes, em busca dos Pokémons do garoto desconhecido.
– Tudo bem. Elas vão
conseguir. Todos nós sairemos daqui – garantiu Duke.
– Cara, eu fico meio
preocupado... – Admitiu Nate.
– Confie nelas.
– Eu confio, mas...
– Ninguém vai morrer
aqui. Ninguém!
De novo, não.
– Vocês são uns malucos – brincou o estranho. –
Bem, acho que sou tão maluco quanto... Ninguém mandou fazer uma exploração
sozinho.
– Exploração? Você é da equipe de exploração
de Blackthorn? – Palpitou o moreno.
– Você é bom. Sim, sou
membro da equipe júnior de exploração...
– Oliver?
–... Nate?
– Pessoal?
Eles podiam botar o papo
em dia depois. Agora estavam num caso de urgência. Pedras maiores começavam a
cair e a terra tremia cada vez mais. Pior: nenhum sinal das garotas. Não podiam
arriscar seus Pokémons os liberando para ajudá-los, e mesmo se o fizessem não
sabiam como eles poderiam ser úteis naquela situação. O jeito era continuar
andando o mais rápido que podiam.
Então, uma pedra enorme
despencou na direção deles.
Nate viu e avisou os
outros dois, que ficaram assustados demais para se moverem. Por sorte, uma grande
serpente de pedra surgiu e ficou em cima deles, levando todo o impacto do
pedregulho, e ainda assim parecia muito bem. Foi incrível como ela chegou no
melhor momento possível.
– Incrível... Um Onix!!
– Fala, amigão! – Cumprimentou-o Oliver. - Bem
na hora.
– Esse Onix é seu?! –
Nate se surpreendeu mais uma vez.
– Sim. Ele costuma sair da
Pokébola por vontade própria. Eu nunca fiquei tão feliz por isso!
O Pokémon se abaixou para
que os três subissem nele. Assim feito, se direcionou a saída rapidamente.
– Espera! – Pediu Nate. –
A Lyra e a Cris estão lá dentro!
Não dava tempo para
voltar. A terra tremeu mais ainda e a Union Cave simplesmente começou a “afundar”.
O Onix levou os garotos para longe dali antes que alguma pedra os pegasse. Uma
enorme cortina de poeira foi levantada, o chão rachou, e árvores foram
derrubadas. Cidadãos de Azalea Town foram para a Rota 33 ver o que havia
acontecido.
– As meninas... – Nate quase
perdeu o fôlego. – Elas...
– Droga! A culpa é toda
minha! – Lamentou-se Duke.
Por sua vez, Oliver olhou
ao redor a procura de algo. Seus Pokémons também estavam na caverna, mas ele
não parecia muito alterado. Quando finalmente avistou o que procurava, cutucou
os outros dois e apontou para lá.
Um buraco se abria no chão, e dele saiu um
Sandslash um pouco arranhado, mas sem ferimentos graves. Ele segurava um boné vermelho
e branco, o qual entregou para Oliver. Logo depois o buraco se abriu um pouco
mais um potente Ursaring saiu de lá, um pouco mais ferido que o Sandslash.
Finalmente, Lyra e Cris saíram do buraco, sujas e com leves arranhões pelo
corpo.
Nate correu para
abraçá-las bem forte. Duke acenou para Cris, mas o que realmente queria era ter
a mesma atitude de Nate.
– Calma, Nate, nós estamos
bem! – Afirmou Lyra.
– Dane-se! Eu pensei que
tinha perdido vocês!
– Eu também te amo,
primo, mas você está nos sufocando!
O rapaz as soltou, ainda
com algumas lágrimas de emoção. Riu um pouco e se desculpou.
– Vocês são demais! –
Oliver correu para abraçar seus Pokémons.
Agora era possível
identificar Oliver. Além do cabelo loiro, ele tinha olhos avermelhados, pele
clara. Vestia um colete azul com colarinho preto sobre uma camisa branca,
bermuda verde, tênis azuis com detalhes vermelhos. Usava também uma gravata
vermelha e agora estava com seu boné bicolor, e carregava uma bolsa vermelha e
branca. Sua perna esquerda estava ferida, tanto que ele ainda mancava. Suas
roupas estavam cobertas de poeira.
– Oliver! – Chamou-o
Nate. – Seu idiota! O que você estava fazendo lá sozinho?! Podia ter morrido! E
ainda se separa de seus Pokémons?! O que deu em você?!
Mesmo levando uma bronca,
Oliver riu.
– Há quanto tempo, Nate.
Nate se calou e sorriu.
– Já faz um tempo, seu
maluco.
– He... Senti saudades, anta.
– Besta.
– Mané.
– Pateta.
Eles pararam de zoar um
ao outro depois de um tempo e começaram a rir.
– Povo de Azalea! –
Gritou Oliver. – Esses quatro amigos se arriscaram entrando na Union Cave mesmo
sabendo que ela iria desabar! E fizeram isso apenas para salvar minha vida e a
dos meus Pokémons! Eu não tenho palavras para descrever minha gratidão! Esses
quatro são verdadeiros heróis!
Os cidadãos aplaudiram,
alguns chegaram a assoviar. Nate, Duke, Lyra e Cris ficaram lado a lado, sem
graça. Aquele foi apenas o primeiro passo. Ainda tinham que salvar toda a
humanidade. Se por salvar apenas uma pessoa e seus Pokémons já lhes dava tantas
palmas, elogios e agradecimentos, e já os deixava tão felizes com eles mesmos,
mal dava pra imaginar como seria quando salvassem o mundo. Mas eles não estavam
fazendo aquilo pelas recompensas. Estavam fazendo aquilo para que as pessoas
que amavam sobrevivessem, assim como as demais pessoas desconhecidas por eles
espalhadas pelo mundo.
– Isso é estranho –
sussurrou Duke.
– É mesmo – disse Nate no mesmo tom. – Mas é
muito bom!
– Não, não isso. A
caverna desabou por nenhum motivo aparente.
– Você quer dizer que... Já começou? –
Perguntou Cris, também sussurrando.
– Eu espero estar errado.
– Eu também – Lyra entrou
na conversa. – Se isso foi só o
começo...
– Então estamos
completamente ferrados – completou Nate.
– Eu ia dizer que
devíamos nos apressar, senhor pessimista.
– Hey, eu estava
brincando! Nós vamos conseguir. Eu sei disso.
Eles iam conseguir. Eles tinham que conseguir. Duke torcia por
isso com todas as suas forças. Se fosse necessário, ele lideraria aquela
missão. Pelo povo de Olivine, pela memória de seus pais, e, principalmente, por
seus novos amigos. Sua nova família.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Capítulo 10 - Superação
Numa sala isolada da base principal da Team Rocket, havia uma jaula com um Pokémon raro dentro. Ali era onde Axel passava a maior parte do tempo. Por sorte fora escolhido para vigiar o Pokémon. Enquanto todos achavam isso uma tarefa chata e um pouco perigoso, Axel a via como um passatempo agradável. Ele adorava estar ali com o Lendário, e seria ainda melhor se estivessem livres.
Como nos velhos tempos...
Infelizmente, a fera o via como um inimigo. E ninguém podia culpá-lo. Axel havia traído seu melhor amigo. O rapaz sabia o quanto aquilo fora imperdoável.
- E aí, grandão? Vou ficar um tempo aqui com você, beleza?
O Pokémon rugiu.
- Eu sei que você não vai aceitar, mas... Desculpe. Mais uma vez, desculpe por tudo.
Axel sentou-se encostado à parede. Apenas fixou a outra parede, se lamentando pelo que tinha feito e pelo que tinha passado.
Um soldado entrou na sala.
- Senhor Axel, o senhor Archer o espera na sala de reunião.
- Archer, é...? Tudo bem, estou indo.
- Eu fico de olho na fera durante sua ausência, senhor.
O Executivo hesitou. Olhou para o Pokémon e, relutante, respondeu:
- Como quiser. Eu já volto.
A sala de reuniões era composta por uma grande mesa reservada aos Executivos e aos líderes do quartel de Kanto. A sala era iluminada por três lâmpadas, já que a luz do sol matutino não podia entrar na base subterrânea. Apenas Archer estava lá quando Axel chegou, e aparentemente a reunião seria apenas com eles.
- Bom dia, Axel.
- Bom dia, chefe.
O jovem se sentou.
- Fui o primeiro a chegar?
- Oh, não. Quero falar apenas com você -esclareceu Archer.
Aquilo não soava bem. Axel não tinha medo de Archer, apenas fingia respeitá-lo. Ainda assim, ter uma conversa às sós com ele não parecia bom, ou seguro. Por trás do sorriso amistoso do homem estava uma camada de crueldade. Axel descobrira isso da pior maneira possível.
Ele lhe explicou a situação.
Era uma ordem absurda. Axel não queria fazer aquilo.
Mas não tinha outra alternativa.
-------
Sentados no meio da Rota 32, os quatro escolhidos haviam feito uma pausa na caminhada. Lyra liberou sua Ledyba para ajudar o amigo a se preparar para o próximo ginásio, no qual o líder era especialista em tipo Inseto. Era a segunda vez que Nate precisava de ajuda para passar de um desafio, e ele realmente não queria ter de passar por isso sempre que se aproximasse de um ginásio. Seus amigos eram muito prestativos e gostavam de ajudar, mas o rapaz gostaria de se preparar sozinho na próxima vez. Queria passar aos seus Pokémons o ensinamentos de Clair.
Ao ser liberada, Starx começou a subir no colo de Nate, enquanto o garoto fazia o possível para não tirá-la dali. A Ledyba então subiu até seu ombro e parou em cima de sua cabeça. Ela ficou ali por dois minutos de silêncio.
- Muito bem, garota. - Lyra a pegou no colo e Nate soltou um suspiro de alívio. - Foi tão ruim assim?
- Ela é um inseto!
- Ela não fez absolutamente nada - disse Duke. - Só ficou parada em cima da sua cabeça. Isso é paranoia...
- Vamos Nate, aquilo foi só uma brincadeira... Não acredito que você ainda tem tanto trauma - disse Cris.
Ele também não acreditava. Seu trauma nasceu de uma brincadeira de Lyra quando eles eram pequenos, embora a garota não tivesse feito por mal. Agora que isso realmente atrapalhava, sua amiga parecia querer fazer o possível para acabar com esse medo para que o rapaz não tivesse problemas em Azalea. Isso era realmente muito legal da parte dela. Lyra se importava muito com o amigo, e Nate sentia que não retribuía da mesma forma. Agora ele estava determinado a dar mais importância à amiga de infância - principalmente depois do pensamento da noite anterior.
- De qualquer forma, obrigado, Lyra. É muito legal da sua parte.
A garota sorriu.
- De nada. Mas isso foi só um aquecimento.
- Hein? Como assim?
Lyra se levantou.
- Vou te apresentar à uma pessoa.
A garota de chapéu branco os guiou até uma pequena casa perto da entrada da Union Cave. Ela apertou a campainha e um jovem de cabelos cinzentos com topete atendeu. Sua pele era bem clara e vestia uma jaqueta preta sobre uma camisa branca com uma estampa na parte inferior, calça e tênis cinzas.
- Olha só, se não é minha guria favorita! Há quantos anos a gente não se vê, Lili?
- Só faz um mês, Duncan.
Duncan riu e olhou para os outros jovens.
- Ah... Pessoal, esse é Duncan Curtis. Duncan, esses são meus amigos: Nate Silver, Duke Skyfalls e Cristina Houston.
- Opa! Prazer, galera.
O amigo de Lyra apertou a mão de cada um amistosamente.
- O pai do Duncan é amigo do meu pai, além de trabalhar com ele. Por isso nós sempre passávamos um bom tempo juntos quando eles se encontravam.
- Apesar de eu ser seis anos mais velho, era bem divertido - admitiu Duncan. - Entrem! Só não liguem pra bagunça, quando a Lyra ligou perguntando se podia fazer uma visita, eu corri pra arrumar... Mas essa guria é muito rápida!
- Não. Você que é muito bagunceiro.
- E ainda joga na cara... Entra logo, chata.
A casa tinha um estilo rústico e era mesmo muito bonita, embora estivesse um pouco bagunçada. Na sala de estar, um sofá para três pessoas e uma poltrona, uma televisão e uma mesa de centro sobre o tapete. Na sala ao lado, uma escada levando ao segundo andar, uma grande estante lotada de vários tipos de livros e duas mesas de estudos. Por fim, a cozinha, que também servia como sala de jantar.
- Ok, mas... Lyra, por que nós estamos aqui? - Perguntou Nate.
- O senhor Curtis é um grande admirador do tipo inseto.
- É verdade - disse o mais velho. - Temos um cercado com vários Pokémons desse tipo lá fora. Quer ver?
- N-não, não precisa...
- Ele adoraria - cortou Lyra.
Duncan os levou até a cozinha e abriu a porta dos fundos. Lá estava um extenso cercado com vários Pokémon do tipo inseto existentes em Johto: Caterpies, Buterfrees, Weedles, Beedrils, Spinaraks... A quantidade era inacreditável. Os voadores voavam livremente pela área, mas sempre voltavam para casa. Os menores passavam por debaixo da cerca para passear um pouco, sendo vigiados pelos maiores. Era como uma grande comunidade de insetos. Uma comunidade bem arrepiante.
- Incrível! - Admirou-se Cris. - É uma coleção surpreendente!
- Eu fico de boca aberta vendo o apreço que meu pai tem por eles. Antes eu não gostava desse tipo, mas com a convivência fui me acostumando, e agora chega a ser um dos meus preferidos.
- O senhor Curtis deve ser um homem bem esforçado para reunir tantos no mesmo lugar - observou Duke.
- Sim, e também é uma pessoa sonhadora, desde sempre. Papai tem vários sonhos e luta para realizar cada um deles.
- É admirável - disse Nate. - Muito legal. Demais! Podemos ir agora?
- Cara, isso é falta de educação - repreendeu-o o ruivo.
- Hum... Você é o cara que tem fobia de insetos! - Adivinhou Duncan. - A Lyra me falou de você. Sei exatamente como te ajudar.
- Sério? Como?
- Fique aqui no cercado por algumas horas e está resolvido.
Nate arregalou os olhos.
- Tá de sacanagem, né?
- Mano, fique aqui por umas horas e perderá completamente o medo! É muito ridículo esse trauma. Só precisa de convivência pra perceber que eles são incríveis.
- Eu já convivo com um! A Lyra tem uma Ledyba e eu vejo ela todos os dias!
- Mas é só uma. Você tem que conviver com vários para se acostumar.
- E nós vamos ficar aqui com você. Então pare de chorar, ouviu? Parece um bebezão! - Disse Cris.
- Pode contar com a gente. Desde que você não berre de medo... - Disse Duke.
- Eu também vou ficar - disse Lyra. - Vou aproveitar para deixar a Starx brincando com os outros Ledybas daqui.
Nate abriu um sorriso enorme.
- Ok, ok! Vamos nessa...
Enquanto as garotas conversavam de um lado, os rapazes passavam o tempo no outro. Starx passeava pela área brincando com os menores, como Spinaraks e Paras, além de outros Ledybas. Os adultos iam cumprimentar a visitante de vez em quando. Duncan às vezes ia ver como eles estavam levando comida ou simplesmente passando um tempo com eles.
- A Cris me contou como vocês se conheceram - Nate resolveu puxar assunto com Duke. - Aquilo é típico dela.
- Acho que é a mesma coisa com os insetos, no seu caso. Só precisa conviver com eles pra acostumar. Eu não fui com a cara da Cris de primeira, mas depois um tempo, viramos amigos.
- É, eu também não gostava muito da Lyra.
Isso foi uma surpresa. Duke arqueou as sobrancelhas.
- Não consigo imaginar isso.
- Por que não?
- Porque vocês são muito próximos! Poucas amizades sobreviveriam a anos de separação. E além disso... Eu sei que você gosta dela.
- É claro que gosto. Lyra é minha melhor amiga.
- Não, mané. Gostar daquele jeito.
Duke esperava que Nate ficasse vermelha e gaguejasse qualquer coisa sobre não gostar dela desse jeito, mas ele ficou quieto. Na verdade, ele parecia triste.
- Eu só sei que não quero perdê-la. Eu temo não conseguir salvar o mundo e sobreviver ao caos só para vê-la morrendo.
Duke o encarou com uma mistura de pena e compreensão. Ele devia saber de alguma coisa. Ainda não tinha explicado como sabia o que aconteceria no futuro - ou o que estava acontecendo no presente, vai saber. Porém, Nate não queria esquentar a cabeça com isso. Estava preocupado demais com tudo. Não era fácil continuar sua jornada normalmente sabendo que o mundo dependia dele.
- Você entendeu errado.
A frase de Duke deixou Nate confuso.
- Você não é único que pode salvar o mundo. Nós também estamos nessa. Eu, Cris, Lyra... Estamos todos juntos. Então pare de falar como se estivesse sozinho nisso.
- Duke...
- Aposto que você já se esqueceu dos insetos, né?
Enfim Nate percebeu que um Spinarak subia em seu colo. E ele não se incomodou muito.
- Faz cócegas.
Logo depois um Ledian voou em volta dele, como se quisesse conhecer o convidado. Ele era bem legal, parando pra pensar. Sua cabeça parecia um capacete. Yanma e Venonat eram até fofos. Scyter, Heracross e Pinsir aparentavam ser poderosos. Shuckle era um pouco engraçado. Nate não precisava temê-los. Eram todos muito legais, de sua própria maneira.
- Acho que eu consegui.
- Vamos continuar aqui, só pra ter certeza.
- Claro.
- Então Lyra, como vai seu pai?
Duncan foi para o cercado mais uma vez para falar com a amiga, visto que ela tinha acabado de terminar o assunto com Cris.
- Não sei. Ele está numa viagem de negócios.
- Ele sabe que você está nessa jornada? - Perguntou a azulada.
- Sabe, claro. Eu liguei pra ele avisando... E ele disse que foi besteira. Que eu não devia ter feito isso, que ainda era muito jovem pra viajar por aí, que foi uma decisão tola...
O rapaz não sabia o que dizer. Sempre que recebeu visitas ou visitou a família de Lyra, seu pai lhe parecia um homem gentil e honesto. Contudo, a garota não parecia vê-lo somente assim. Cris tomou a iniciativa de abraçá-la.
- Ele não me dá força pra nada. Ele nunca me incentiva. Sinto falta da mamãe.
Era verdade. Os pais de Lyra se divorciaram quando ela tinha sete anos, e seu pai conseguiu sua guarda. Lyra amava muito sua mãe. Nunca quis saber o motivo da separação do casal pois não queria destruir a imagem que tinha de sua progenitora. Temia ficar tão abalada com a verdade a ponto de não querer vê-la novamente, embora só tenha a visto poucas vezes desde sua partida.
- Sinto muito, eu não devia ter perguntado...
- Tudo bem, Duncan. Você não sabia, certo? Além do mais, eu tenho que superar isso. Minha mãe partiu há dois anos e eu ajo como uma criança quando meu pai fala algo ruim dela.
- Não faz mal agir como uma criança de vez em quando.
Nate estava atrás dela, sorrindo, e com... Starx no colo?
- Na verdade, nós somos crianças! E é isso o que torna tudo divertido!
- É... Acho que você tem razão.
Cris sorriu e apontou para a Ledyba.
- Sem medo, primo?
- Sem medo, prima! O Duncan tinha razão: era só questão de convivência.
Era ótimo que Nate tivesse perdido seu medo. Agora tinha mais chances na batalha contra Bugsy. Agora ele poderia seguir a jornada sem a preocupação de batalhar com esse tipo de Pokémon. Lyra também devia superar o medo de escuro e de Gastlys - resultado de outra brincadeira. Cris e Duke também tinham algo a superar.
Todos tinham medos e aflições a superar.
Duke esperava que Nate ficasse vermelha e gaguejasse qualquer coisa sobre não gostar dela desse jeito, mas ele ficou quieto. Na verdade, ele parecia triste.
- Eu só sei que não quero perdê-la. Eu temo não conseguir salvar o mundo e sobreviver ao caos só para vê-la morrendo.
Duke o encarou com uma mistura de pena e compreensão. Ele devia saber de alguma coisa. Ainda não tinha explicado como sabia o que aconteceria no futuro - ou o que estava acontecendo no presente, vai saber. Porém, Nate não queria esquentar a cabeça com isso. Estava preocupado demais com tudo. Não era fácil continuar sua jornada normalmente sabendo que o mundo dependia dele.
- Você entendeu errado.
A frase de Duke deixou Nate confuso.
- Você não é único que pode salvar o mundo. Nós também estamos nessa. Eu, Cris, Lyra... Estamos todos juntos. Então pare de falar como se estivesse sozinho nisso.
- Duke...
- Aposto que você já se esqueceu dos insetos, né?
Enfim Nate percebeu que um Spinarak subia em seu colo. E ele não se incomodou muito.
- Faz cócegas.
Logo depois um Ledian voou em volta dele, como se quisesse conhecer o convidado. Ele era bem legal, parando pra pensar. Sua cabeça parecia um capacete. Yanma e Venonat eram até fofos. Scyter, Heracross e Pinsir aparentavam ser poderosos. Shuckle era um pouco engraçado. Nate não precisava temê-los. Eram todos muito legais, de sua própria maneira.
- Acho que eu consegui.
- Vamos continuar aqui, só pra ter certeza.
- Claro.
- Então Lyra, como vai seu pai?
Duncan foi para o cercado mais uma vez para falar com a amiga, visto que ela tinha acabado de terminar o assunto com Cris.
- Não sei. Ele está numa viagem de negócios.
- Ele sabe que você está nessa jornada? - Perguntou a azulada.
- Sabe, claro. Eu liguei pra ele avisando... E ele disse que foi besteira. Que eu não devia ter feito isso, que ainda era muito jovem pra viajar por aí, que foi uma decisão tola...
O rapaz não sabia o que dizer. Sempre que recebeu visitas ou visitou a família de Lyra, seu pai lhe parecia um homem gentil e honesto. Contudo, a garota não parecia vê-lo somente assim. Cris tomou a iniciativa de abraçá-la.
- Ele não me dá força pra nada. Ele nunca me incentiva. Sinto falta da mamãe.
Era verdade. Os pais de Lyra se divorciaram quando ela tinha sete anos, e seu pai conseguiu sua guarda. Lyra amava muito sua mãe. Nunca quis saber o motivo da separação do casal pois não queria destruir a imagem que tinha de sua progenitora. Temia ficar tão abalada com a verdade a ponto de não querer vê-la novamente, embora só tenha a visto poucas vezes desde sua partida.
- Sinto muito, eu não devia ter perguntado...
- Tudo bem, Duncan. Você não sabia, certo? Além do mais, eu tenho que superar isso. Minha mãe partiu há dois anos e eu ajo como uma criança quando meu pai fala algo ruim dela.
- Não faz mal agir como uma criança de vez em quando.
Nate estava atrás dela, sorrindo, e com... Starx no colo?
- Na verdade, nós somos crianças! E é isso o que torna tudo divertido!
- É... Acho que você tem razão.
Cris sorriu e apontou para a Ledyba.
- Sem medo, primo?
- Sem medo, prima! O Duncan tinha razão: era só questão de convivência.
Era ótimo que Nate tivesse perdido seu medo. Agora tinha mais chances na batalha contra Bugsy. Agora ele poderia seguir a jornada sem a preocupação de batalhar com esse tipo de Pokémon. Lyra também devia superar o medo de escuro e de Gastlys - resultado de outra brincadeira. Cris e Duke também tinham algo a superar.
Todos tinham medos e aflições a superar.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Despedida
Galera, trago uma triste notícia.
Hoje recebi um e-mail do autor de Hoenn, Lúcio Weaver, informando que ele estava saindo da Aliança.
É realmente uma grande perda. Embora ele tenha sido o membro mais novo, foi um bom companheiro, e foi realmente ótimo tê-lo na família.
Lúcio, obrigada mais uma vez por tudo. Eu espero que nos encontremos por aí novamente.
(Aos interessados: não, a vaga de Hoenn não abrirá imediatamente. Apenas em fevereiro).
Até a próxima, companheiro!
Hoje recebi um e-mail do autor de Hoenn, Lúcio Weaver, informando que ele estava saindo da Aliança.
É realmente uma grande perda. Embora ele tenha sido o membro mais novo, foi um bom companheiro, e foi realmente ótimo tê-lo na família.
Lúcio, obrigada mais uma vez por tudo. Eu espero que nos encontremos por aí novamente.
(Aos interessados: não, a vaga de Hoenn não abrirá imediatamente. Apenas em fevereiro).
Até a próxima, companheiro!
sábado, 4 de janeiro de 2014
Capítulo 9.5
Os quatro passaram a tarde inteira treinando os Pokémons de Nate.
Enquanto Luther ajudava Leon, o Spearow e a Mareep de Cris treinavam o Geodude de Nate. Ao mesmo tempo, a Starx de Lyra tentava aprender a voar com Ícaro. Já havia anoitecido e chegava a hora de descansar.
Duke ia citando as lições enquanto o Growlithe fazia demonstrações e o Cyndaquil apenas observava. Do outro lado, Nate dava comandos ao seu Geodude para atacar ou desviar dos ataques de seus treinadores. E o Hoothoot mostrava à Ledyba como ele voava, passo a passo, sendo observados por Lyra. Os outros Pokémons que não participavam do treino foram liberados e ficaram próximos dos jovens, estreitando seus laços. Aquela estava se tornando uma noite agitada.
- Mareep, use Thundershock!
- Desvie, Geodude!
O Pokémon elétrico disparou uma discarga elétrica na direção do Pokémon Rocha, que conseguiu desviar do golpe.
- Spearow, Quick Attack!
E logo depois, a ave o atingiu de lado numa investida veloz, que o jogou no chão.
- Nate... O Geodude é um Pokémon do tipo Rocha, ou seja, é imune a ataques do tipo elétrico! Não precisava ter desviado do Thundershock. E poderia ter evitado o golpe do Spearow.
- Mais uma vez?
- Claro, primo! Estamos aqui pra isso!
O Geodude se recompôs e brandiu, exibindo os músculos em seguida, mostrando que estava pronto para qualquer desafio.
- Ótimo! Mas não pense que eu vou usar a mesma estratégia duas vezes. Não daria essa moleza nem pra você!
- Vem com tudo, Cris! Nós estamos prontos!
Os Pokémons voadores decidiram dar uma pausa nos exercícios de voo. A Ledyba ia aprendendo aos poucos, e o Hoothoot não a pressionava.
"Cada um tem seu próprio ritmo. Não podemos apressar a pequena Starx"
- Você é demais, Ícaro.
A garota acariciou a cabecinha da coruja, que gostou do carinho. Starx grunhiu como se agradecesse à paciência de tutor.
- Aposto que vocês se darão muito bem.
Ícaro usou as mesmas pedrinhas de antes para formar outra frase:
"Eu espero que sim. E anseio pelo dia em que voaremos juntos"
Era bom ter mais uma amizade entre Pokémon de seu time e do time de Nate. Seus laços facilitariam a interação entre os times e tornariam a jornada mais agradável. Quanto mais próximos os Pokémons e seus treinadores fossem, melhor.
Lyra se juntou ao seu Chikorita e ao Magikarp, que brincava no lago de Violet City, sendo acompanhado de Ícaro e Starx. O Meowth e o Totodile de Duke estavam lá com a Nidoran de Cris. Os iniciais conversavam sobre algo, e em certo momento o Chikorita começou a ficar nervoso. O aquático continuou a irritá-lo.
- O que está acontecendo aqui?
Os dois nem prestaram atenção nela, continuando a discussão. Então, o tipo Grama deu um empurrão em seu provocador, fazendo-o cair na água e assustando o Magikarp.
- Parem!
- O que houve?
Duke e Luther tinham dado uma pausa no treinamento de Leon. O mesmo agora assistia ao treino do Geodude ao lado de seu treinador.
- Não sei! Eles começaram a brigar do nada!
Mesmo depois de ser derrubado o Totodile continuava a provocar o Chikorita. O Pokémon de Lyra ameaçava atacar novamente.- Gus, pare - ordenou Duke.
Gus, o aquático, notou a presença de seu treinador e se calou. O Chikorita também percebeu que sua dona estava lá e grunhiu, se desculpando por atacar o amigo. O mesmo voltou à superfície e se desculpou por tê-lo provocado.
- Mas que discussão foi essa, afinal? - Indagou o ruivo.
Lyra pensou um pouco antes de dar seu palpite.
- Acho que o Gus chamava o Chikorita de fraco. Ele nunca lutou muito...
O Totodile assentiu com vergonha. Duke se surpreendeu por ela ter entendido tão fácil e rapidamente.
- Como sabe disso?
- Intuição feminina?
- Claro. Isso explica tudo.
O Growlithe do rapaz se juntou aos companheiros de time enquanto Starx se aproximava dos seus. Duke se sentou ao lado da garota para vê-los brincando.
- O Meowth também tem nome? - Perguntou a garota.
- Claro. Se chama Ken.
- Nome diferente - ela observou. - Mas é legal.
- Eu sei.
O jovem olhou para Lyra e percebeu que ela o encarava com curiosidade. Ele sabia o que ela estava pensando. Duke tinha apenas 13 anos e já era um rapaz sério e concentrado. Ele mesmo admitia isso com tristeza, mas nunca em voz alta. A líder do ginásio de Olivine, Janine, também percebera isso nele quando ele voltou para sua cidade natal para comprar alguns itens ao lado de Cris. Naquela época eles haviam acabado de conhecer o futuro e procuravam pelas bases secretas do Team Rocket. E pensar que foi algumas semanas atrás... Parecia fazer uma eternidade que ele não via sua cidade natal. E parecia fazer ainda mais tempo que ele não agia como um garoto normal de sua idade.
- O que foi?
A voz da garota o trouxe de volta. Duke percebeu que olhava fixamente para o nada enquanto deixava um turbilhão de pensamentos invadirem sua mente.
- Não é nada - afirmou.
- Posso perguntar uma coisa?
Ele assentiu.
- Como você e a Cris se conheceram?
- Não é grande coisa - disse ele. - Eu tinha acabado de começar a jornada e estava indo para New Bark Town pegar meu primeiro Pokémon. Quando cheguei em Cherrygrove vi uma pequena multidão na praia e fui ver o que era. A lerda da Cris tinha engolido muita água quando foi nadar e acabou desmaiando. Não era muita gente, e ninguém sabia fazer respiração boca a boca direito. E eu.... Sabe, meu pai me ensinou medidas de primeiros socorros quando há alguns anos, então eu sabia o que fazer. Quando ela acordou, percebeu que eu a tinha salvado e quis fazer algo para me agradecer. Tomamos um café juntos e eu contei pra ela que estava começando a jornada. Cris disse que também tinha acabado de começar e disse que devíamos ir juntos. Eu nem tive tempo para pensar... A maluca me puxou até New Bark.
Lyra riu. Essa Cris nunca mudaria...
- Não lembro de ter visto você lá.
- Eu cheguei e saí cedo de lá. Depois de alguns dias treinando e capturando Pokémons...
Ele se interrompeu, como se não quisesse falar sobre aquilo.
- Não precisa falar, se não quiser - confortou-o Lyra.
- Obrigado.
Mesmo dizendo isso, Lyra continuava com uma pulga atrás da orelha. Ele estavam viajando há alguns meses e cada um tinha apenas três Pokémons, nenhum evoluído. Por que eles teriam parado de treinar?
- E você e Nate? Como se conheceram?
- Bem, New Bark é uma cidade muito pequena. Nossos pais já eram amigos quando nascemos e desde cedo deixaram eu, ele e Cris juntos - contou a garota. - Também não é grande coisa.
- Mas pelo o que a Cris disse, ele foi embora aos sete anos, certo?
Lyra assentiu.
- Por quê?
- Desculpe... Se eu alguém tem que contar isso é o Nate, se ele quiser. Eu não me sinto muito bem contando essa história - lamentou Lyra.
- Tudo bem. A Cris disse a mesma coisa - disse Duke.
Enquanto isso, Gus brincava com o Magikarp na água, Chikorita e Ken brincavam na superfície, Ícaro e Starx retomavam o treino, e Luther os vigiava. Durante a brincadeira, o inicial de Lyra achou um trevo de quatro folhas no chão e mostrou ao amigo. Vendo o interesse dos Pokémons seus treinadores se levantaram para ver.
- Dizem que dá sorte - disse Duke.
- Que tal levarmos conosco? Algo me diz que vamos precisar de sorte...
Chikorita usou seu chicote de vinha para tirar delicadamente o trevo e deu para sua treinadora. Lyra agradeceu acariciando o pequeno.
- Sabe... Acho que vou te chamar de Trevor.
Trevor grunhiu, feliz com o novo apelido.
- Trevor... Trevo... Ah, saquei - disse Duke. - E o Magikarp?
O peixe olhou para a garota e se aproximou da margem. Ela se abaixou e o acariciou carinhosamente.
- Eu ainda não sei... Mas isso não te torna menos importante, ok?
O Magikarp grunhiu alegremente e voltou a brincar com Gus.
- Não se incomoda tendo o Pokémon que todos chamam de inútil em sua equipe? - Sussurrou Duke.
- Claro que não. Sei que ele não é inútil. E quando evoluir para Gyarados, quebrará a cara de todos que o subestimam!
- Thundershock!
- Fique firme, Geodude!
Diferente da outra vez, o Pokémon de Nate não saiu do lugar e recebeu o golpe elétrico, não sofrendo danos por ser imune. Logo em seguida o Spearow de Cristina avançou para atacá-lo por trás.
- Atrás de você!
O Geodude não teve tempo para esquivar ou contra-atacar; novamente foi jogado no chão.
- Pense rápido! - Exclamou Cris.
- Nós sabemos! Pode aguentar outra, amigo?
O Pokémon mostrou o sinal de positivo com seu típico sorriso desafiador.
- Esse aí é durão - comentou a azulada.
Nate sorriu.
- Quer saber? Acho que encontrei o apelido perfeito para ele.
- E qual seria?
- Não vou dizer ainda, tenho que saber o sexo dele primeiro. Vamos voltar ao treino!
Quando Duke decidiu que Leon já tinha concluído treinamento com Luther, e Ícaro informou à Lyra que Starx já sabia o básico sobre voos, o Hoothoot e o Cyndaquil iniciaram seu treino psicológico. Nate também havia acabado de encerrar o treino do Geodude e foi assisti-los. Impaciência, ansiedade... Eram alguns dos fatores que poderiam atrapalhar Leon na batalha, segundo Ícaro. Isso somado às instruções de Duke aperfeiçoariam as habilidades do Pokémon.
- O que eles estão fazendo? - Perguntou Lyra.
- Eles estão calados desde o começo... Deve ser algum tipo de telepatia, ou sei lá o quê... É chato não poder participar.
- Estamos indo dormir no Centro Pokémon. - A garota lhe entregou uma chave. - Seu quarto é o 3G. Você precisa ir dormir logo, amanhã é um grande dia!
- Eu sei, mamãe - brincou Nate. - Já estamos indo.
Lyra se afastou e o rapaz continuou a observar seus Pokémons. Ele não sabia ao certo o que eles estavam fazendo, mas esperava que estivesse fazendo efeito. E realmente estava. De alguma forma, Ícaro conseguira conversar com Leon telepaticamente, e seus ensinamentos eram claros. "Conheça seus limites. Lembre-se que todos têm seu próprio ritmo para aprender as coisas. Você não pode querer ser o melhor de um dia para o outro, isso requer esforço e dedicação. Tenha paciência e você chegará ao topo".
- Hã... Pessoal? Podem continuar isso lá no quarto? Eu preciso dormir...
Os Pokémons concordaram e foram retornados para suas respectivas Pokébolas.
Nate adentrou o Centro quase cambaleando de tanto sono. Subiu as escadas e procurou por seu quarto. Quando o encontrou, colocou a chave para abri-lo, mas já estava aberto. Mesmo estranhando o rapaz entrou e se jogou na cama. Espera...
- AAAAHHHHH!!!
- L-Lyra?! O que você tá fazendo no meu quarto, sua doida?!
- É o MEU quarto!! Quantas vezes você ainda vai fazer essa confusão?! Agora sai de cima de mim, seu pervertido!
- Eu não sou pervertido!
- Você não me convence muito!
Nate saiu de cima da amiga num pulo, ambos vermelhos como um tomate.
- Seu quarto está é ao lado desse... Esse é o 2G!
- Lyra, foi mal mesmo! Eu estou grogue de sono, acabei confundindo...
A raiva da garota passou e ela abriu um sorriso carinhoso.
- Tudo bem... Desculpe por ter explodido.
- Você tinha o direito. Eu praticamente pulei em cima de você! Caramba, eu estava numa posição meio... Caramba! Foi mal.
Lyra riu e beijou a bochecha do amigo.
- Boa noite, maluquinho.
Nate sorriu. Antes de sair, resolveu conversar um pouco com a amiga, como no dia em que invadira seu quarto em Cherrygrove.
- Ei, Lyra... Eu estive pensando... O Duke e a Cris disseram que todos morrem no futuro, e quem sobrevive só pode ver seus amigos morrendo... E eu pensei...
- O quê?
Alguma coisa o impediu de continuar falando, como se tivesse engolido uma bola de gude e ela tivesse parado no meio de sua garganta.
- Nada, era besteira. Deixa pra lá. Boa noite.
Nate já ia colocar a mão na maçaneta quando Duke abriu a porta com um empurrão, o derrubando no chão. Ao seu lado estava Cris com uma vassoura.
- Por que você gritou?! Alguém te atacou?! Tem um fantasma aqui?!
- A única pessoa que sofreu um ataque aqui fui eu...
Duke e Cris repararam em Nate caído com uma marca avermelhada no rosto. O ruivo o ajudou a se levantar e se desculpou pelo acidente.
- Só agora que vocês vieram?! - Espantou-se Lyra. - Se fosse um assassino eu já estaria morta e ele já teria fugido!
- Teríamos entrado antes, mas a Cris ficou com medo e foi buscar essa vassoura - explicou Duke.
- Não jogue a culpa em mim!
- Mas a culpa foi sua.
Eles começaram a discutir. Lyra suspirou e voltou para a cama.
- Por que será que meu quarto é sempre lugar de bagunça...?
Enfim chegara o dia. Estava na hora do primeiro desafio de ginásio de Nate. Em suas mãos estavam as Pokébolas de seus Pokémons que batalhariam, já treinados para o desafio. Ao seu lado, sua melhor amiga, sua prima, e... Bem, um cara que ele esperava poder chamar de amigo em breve.
- Leon, Gravel, conto com vocês, carinhas. Vocês conseguem.
- O apelido do Geodude é Gravel? - Perguntou Cris.
- Ele é duro como pedregulho, saca? - Riu Nate.
A azulada riu de leve. Lyra sorriu para ele, transmitindo ainda mais confiança. Duke deu um tapinha em seu ombro.
- Fique calmo e lembre do que aprendeu.
- Pode deixar.
E assim, eles adentraram o ginásio de Violet City.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Notas da Autora - Especial de Natal Parte 2
Oi povo! A segunda parte do especial de natal foi postada, a terceira e última parte está por conta do Fabio. Como vocês viram, ocorre um ano antes de Nate iniciar sua jornada.
Sim, unimos Unova e Johto, por essa vocês não esperavam, né? Hehe... É apenas algo que eu e o Fabio planejamos para celebrar o Natal, mostrando os irmãos Silver juntos. Esperamos que vocês se divirtam e tirem alguma lição disso, principalmente aqueles que têm irmãos.
Até a próxima, pessoal! Fiquem de olho no blog de Unova!
Para verem a primeira parte, cliquem aqui.
Para ver a terceira parte, cliquem aqui.
Especial de Natal - Revelações (Parte 2)
- Seu sobrenome é Silver? - Indagou Hugh.
- Sim - confirmou Nate. - Por quê?
- O meu também é Silver.
Todos aqueles ali presentes ficaram em silêncio por um instante. A mãe de Hugh colocou a mão na testa.
- Que coincidência - disse o jovem de Johto. - Quais as chances de duas pessoas desconhecidas e sem laços de sangue terem o mesmo sobrenome?
- Pois é. É praticamente impossível - afirmou o treinador de Unova.
Eles se calaram novamente. Nate deu outra garfada em sua comida.
- Então... Silver é o sobrenome de sua mãe? - Perguntou ele.
- Não, de meu pai.
O rapaz de boné engoliu sua comida imediatamente e voltou a encarar Hugh.
- O do meu pai também é Silver.
Outra vez, silêncio.
- Você parece um pouco com meu pai - observou Nate.
- Você também parece com o meu - disse Hugh.
Os dois se calaram novamente. A mãe de Hugh tinha o olhar baixo e as mãos na cabeça, sem falar nada.
- Qual o nome do seu pai? - Perguntaram ao mesmo tempo. - Patrick - responderam. - Ele morreu - disseram em uníssono mais uma vez.
- Ei! Para de falar ao mesmo tempo que eu! - Reclamou Nate.
- Não é possível que sejam a mesma pessoa... - Disse Hugh, antes de olhar para sua mãe. - Mãe...?
Relutante, a mulher ergueu o olhar para encarar o filho. Tinha os olhos marejados e uma expressão de tristeza misturada a um mal estar. Hugh nunca a tinha visto daquele jeito, e aquela feição lembrava Nate do dia em que se despediu de sua mão para morar com Clair.
- Desculpe nunca ter te contado isso, meu filho. Nate é... Seu irmão.
Hugh a encarou espantado. Por sua vez, Nate se levantou num pulo.
- O quê?!?! Esse cara é meu irmão?!?!
- Pare de gritar, fedelho! Não percebe que isso é sério?
- Tá muito na cara que é sério! Até uns minutos atrás eu era filho único!
- Você nunca foi filho único, Nate - corrigiu-o a dona da casa. - Sempre teve um irmão mais velho.... Você nasceu quando Hugh tinha 6 anos. Acredito que tenha 9 agora, certo?
- S-sim...
- Eu já tenho 15 anos e nunca soube que tenho um irmão mais novo? - Indignou-se Hugh.
- Seu pai e eu decidimos não contar. Você o amava tanto, não queríamos que se sentisse traído. O mesmo vale para você, Nate...
- Então todas aquelas viagens para Unova...
- E todas aqueles viagens para Johto...
Os irmãos se encararam. Não dava pra acreditar que cada um tinha um irmão vivendo em outra região, muito menos que o pai deles resolveu não contar nada para não decepcioná-los. Seria um choque, mas pelo menos poderiam ter vivido como uma família. Agora lá estavam eles, na casa de Hugh, mal acreditando que eram irmãos que não conheciam um ao outro e já tão perto do Natal. Tudo era tão estranho, seus estômagos ficaram embrulhados como se tivessem tentado ingerir uma mudança drástica em suas vidas - e não conseguiram.
- Meu pai te traiu com outra? - Perguntou Hugh.
- Já tínhamos nos separado, mas como vocês eram crianças, ficamos com medo que invertessem as coisas.
- Minha mãe sabia? - Indagou Nate.
- Isso você tem que perguntar para ela, Nate. Nunca soube se ela sabia disso ou não, seu pai nunca me disse e eu nunca quis saber.
Todos ficaram quietos pela trigésima vez naquele dia, até que Nate se levantou e agradeceu pelo almoço.
- Muito obrigado pela refeição, senhora, mas eu já estou voltando para o hotel. Foi um prazer... Eu acho.
Ninguém tentou impedi-lo de sair.
No hotel, Nate tomou uma rápida ducha para clarear os pensamentos. Se vestiu e desceu para usar o telefone do prédio. Ligou para sua mãe e não precisou esperar muito para que ela atendesse.
- Alô?
- Oi, mãe. Sou eu, Nate.
- Olá, Nate! Já chegou em Unova?
- Já. É bem legal aqui.
- Que bom que está gostando. Como foi a viagem?
- Ótima, sem nenhum problema. Fique tranquila. - Nate respirou fundo. - Mãe, posso te fazer uma pergunta?
- Claro, filho.
Por um momento, Nate pensou em deixar pra lá. Mas sua curiosidade estava o matando.
- Você sabia que o papai tinha outro filho?
Silêncio se fez no outro lado da linha. Era um dia muito silencioso, na verdade.
- Encontrou Hugh?
- Você sabia?! Por que nunca me disse nada?!
- Achamos que seria melhor assim. Nós não queríamos...
-... Que eu me decepcionasse com o papai, não é? - Completou o rapaz. - Mãe, ele era meu herói. Eu acreditava em tudo o que ele dizia. Se me explicassem, eu entenderia...
- Nós iríamos contar Nate, acredite. Queríamos esperar você crescer mais um pouco para que pudesse realmente entender. Mas ele faleceu quando você ainda era pequeno...
- E eu cresci, e continuei sem saber de nada - murmurou o garoto. - Feliz natal, mãe.
Como ela não respondeu, Nate desligou o telefone, e se sentiu péssimo por ter dito aquilo.
- É assim que você fala com sua mãe?
Nate se virou. Hugh estava parado logo atrás dele, quase o matando de susto.
- Normalmente não... Fui muito idiota, eu sei. - Então ele finalmente se tocou. - Pera, como você me achou?
- Esse é o único hotel da cidade. Minha mãe mandou eu cumprir meu papel de irmão mais velho e ver como você estava. Sinceramente, é ridículo pensar que vou te tratar como um irmão agora.
- É claro. Teríamos que nos conhecer primeiro, não dá pra agirmos como irmãos como se tivéssemos convivido juntos desde sempre.
- Tsc... Você acha mesmo que vou deixar que você se meta na minha vida?
- O... O quê?
- Você ouviu bem. Não fique achando que vamos ser irmãos, que vamos nos ligar, mandar cartas, presentes, e agir como uma família. Pra mim você é só um estranho.
Nate franziu o cenho.
- Tá de sacanagem que você é meu irmão...
- Exatamente. Eu não sou, não pretendo ser, e quero esquecer que esse dia existiu.
Hugh se direcionou para a saída. Nate poderia tê-lo deixado ir e esquecer aquilo também, mas por algum motivo correu atrás do rapaz.
- Hugh, você é um idiota!
Já do lado de fora do hotel, todos que passavam por ali prestaram atenção nos dois jovens. Hugh parou de andar e se virou para Nate que o encarava furioso.
- Querendo ou não, nós somos irmãos! Eu também não tô aceitando isso, mas não dá pra simplesmente ignorar para sempre! Não dá pra voltar pra casa pensando que é filho único sabendo que não é! Mas com você agindo dessa forma, fica muito claro que nossas mães são muito diferentes... Ou que nosso pai me educou melhor.
Agora Hugh parecia realmente com raiva. Se aproximou de Nate e o levantou pela gola de sua jaqueta.
- Como é, pirralho?
- Você ouviu muito bem.
Hugh o socou, derrubando o rapaz no chão.
- Ele não teve tempo. Estava muito ocupado cuidando de seu outro filho.
Estava claro que ele não disse aquilo com rancor. Ele parecia triste, sua voz estava amargurada. Nate percebeu isso, e enquanto alguns adolescentes começavam a clamar por uma briga, o rapaz se levantou e abriu um meio sorriso.
- Não foi tão bom assim receber mais atenção.
- Está dizendo que não gostou de ser o centro das atenções do nosso pai?
- Claro que gostei, mas por causa disso, eu vi ele morrendo. E gostaria de ter perdido isso.
Hugh virou o olhar. Seu irmão tocou seu ombro.
- Viu só? Você admitiu que ele é nosso pai. Quase como se aceitasse que somos irmãos. - Ele um riu de leve. - Feliz natal, Hugh.
Nate se virou para voltar ao hotel. O mais velho abriu um sorriso discreto e murmurou:
- Feliz natal, maninho.
E então, quando cada um ia para seu lado e a multidão de curiosos se dissipava, um som agudo foi ouvido. Logo depois um grande Scolipede apareceu na cidade, correndo enlouquecidamente.
Nate engoliu em seco e tremeu.
- I-inseto...
- Tepig, vamos pará-lo - disse Hugh, liberando seu Pokémon.
O Scolipede continuou avançando. Hugh e Tepig avançaram para enfrentá-lo, e mesmo com medo, Nate lhe dava todo o apoio moral que podia.
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